Medicamento é aplicado a cada dois meses e pode facilitar a adesão à prevenção; Ministério da Saúde anunciou acordo de compra e deve encaminhar proposta à Conitec
O Brasil deu mais um passo para ampliar as estratégias de prevenção ao HIV com o uso de uma PrEP injetável de longa duração. O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (27) um acordo para a compra do cabotegravir, medicamento antirretroviral utilizado na profilaxia pré-exposição (PrEP).
A proposta deverá ser encaminhada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) na próxima semana. A avaliação será necessária para definir a possibilidade de disponibilização do medicamento gratuitamente na rede pública de saúde.
Atualmente, a PrEP é oferecida pelo SUS principalmente por meio de comprimidos que precisam ser utilizados regularmente. Com a versão injetável, a administração ocorre a cada dois meses, o que pode representar uma alternativa para pessoas que enfrentam dificuldades de adesão ao tratamento oral.
PrEP não é vacina
Apesar de ser aplicada por meio de injeção, a PrEP não é uma vacina. Trata-se de uma estratégia de prevenção que utiliza medicamentos antirretrovirais para reduzir o risco de infecção pelo HIV antes de uma possível exposição ao vírus.
Outra alternativa que vem sendo estudada no país é o lenacapavir, medicamento de aplicação semestral. A tecnologia já recebeu registro da Anvisa para prevenção do HIV-1 e vem sendo avaliada em estudos conduzidos no Brasil.
Lenacapavir também está em avaliação
Em janeiro, Salvador foi incluída entre as cidades brasileiras participantes de um estudo da Fiocruz que avalia a utilização do lenacapavir como estratégia de prevenção ao HIV. O medicamento é administrado por injeção subcutânea a cada seis meses.
Em abril, durante debate na Câmara dos Deputados, representantes do Ministério da Saúde, especialistas e integrantes da sociedade civil discutiram os desafios para incorporar o lenacapavir ao SUS, especialmente relacionados ao preço e ao acesso à tecnologia.
A expectativa é que a ampliação da PrEP injetável ofereça novas possibilidades de prevenção e facilite o acesso de pessoas que podem se beneficiar da estratégia.
A decisão sobre a incorporação de cada medicamento ao SUS depende da análise técnica e econômica dos órgãos responsáveis.

