Reestruturação da varejista ocorre durante processo de recuperação judicial e pode alterar a demanda por imóveis comerciais e galpões logísticos
O plano da Casas Bahia de fechar 298 lojas em todo o país deve provocar impactos no mercado imobiliário comercial e logístico brasileiro. A medida faz parte do processo de recuperação judicial da empresa e representa uma redução significativa da presença física da varejista.
De acordo com informações divulgadas pelo UOL, a companhia já vinha reduzindo sua ocupação em condomínios logísticos. Em 2025, foram devolvidos aproximadamente 32 mil metros quadrados de instalações em Itajaí (SC) e Fortaleza (CE), enquanto a empresa passou a ocupar cerca de 17,9 mil metros quadrados em Pernambuco.
Atualmente, a Casas Bahia ainda ocupa aproximadamente 328 mil metros quadrados de galpões logísticos. Segundo a consultoria SiiLA, novos ajustes na estrutura da empresa podem influenciar os índices de vacância, disponibilidade e preços dos imóveis em regiões onde a varejista mantém operações importantes, como Rio de Janeiro, Pernambuco e Extrema, em Minas Gerais.
Redução da rede física
O fechamento das 298 unidades representa uma mudança expressiva na operação da companhia. O número é mais de 11 vezes superior às 26 lojas que foram fechadas pela empresa nos 12 meses anteriores.
A redução pode aumentar a oferta de pontos comerciais que atualmente são ocupados pela Casas Bahia. Ao mesmo tempo, especialistas avaliam que a necessidade de espaços logísticos não necessariamente cairá na mesma proporção, já que a empresa vem ampliando sua atuação digital.
Em 2025, as lojas físicas ainda foram responsáveis por 67,6% da receita bruta da Casas Bahia. Além das vendas, as unidades funcionavam como pontos de retirada e troca de produtos e também estavam relacionadas à concessão de crédito aos consumidores.
Por outro lado, o canal digital próprio da empresa apresentou crescimento de 27,4% no primeiro trimestre de 2026, movimento que pode aumentar a necessidade de uma estrutura logística mais eficiente.
Segundo Giancarlo Nicastro, CEO e fundador da SiiLA, os custos de armazenamento em galpões logísticos são menores do que os de lojas instaladas em áreas urbanas, especialmente por fatores como aluguel e IPTU. Por isso, o fechamento de lojas não significa necessariamente uma redução equivalente na ocupação dos galpões.
Crise financeira
A reestruturação imobiliária ocorre em meio à grave situação financeira enfrentada pelo Grupo Casas Bahia. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial, envolvendo dívidas que chegam a R$ 17,3 bilhões.
Do total, cerca de R$ 16,4 bilhões correspondem a compromissos com credores quirografários, enquanto aproximadamente R$ 754 milhões são referentes a dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões a micro e pequenas empresas.
A varejista também registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões, sendo que R$ 9,1 bilhões foram atribuídos a efeitos contábeis não recorrentes. Sem esses efeitos, o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões.
Apesar das dificuldades, a receita líquida da empresa cresceu 1,6% no trimestre, chegando perto de R$ 7 bilhões. As despesas com vendas, porém, avançaram 17%, para R$ 1,8 bilhão.

